Tô me guardando pra quando o halloween chegar

Autor(a): Salvador Laviano | Data: jul 30, 2008 | Categoria(s): Diversos | 6.578 views |

Sei que ainda é meio cedo pra comentar sobre o Haloween, mas e daí? Vamos falar um pouco sobre a história desta festa que era restrita à grã-Bretanha e Estados Unidos, mas ficou popular até mesmo entre os tupiniquins, a Noite das Bruxas, que também entre nós é conhecida como Halloween ou, mais comumente, como “Dia das Bruxas”.

Vamos começar com uma pequena lenda sobre a origem da Noite das Bruxas:

Há muitos anos, nas terras verdejantes e úmidas da Irlanda, vivia um camponês chamado Jack. Ele possuía uma vasta plantação de nabos (aqueles nabos redondos, parecidos com beterrabas) e ganhava a vida com um próspero negócio vendendo seus nabos. Contudo, o Diabo o perseguia com tentações as quais o camponês ia resistindo como podia, com Diabo enchendo as suas medidas.

Com o Diabo pelas tampas e usando de um engodo, o camponês conseguiu que ele subisse no alto de uma árvore. Imediatamente, empunhando um machado, esculpiu na árvore um enorme crucifixo, aprisionando Belzebu.

Este, velho e também sabido, propôs um pacto ao camponês que limparia o crucifixo da árvore, libertando-o, e ele nunca mais o perseguiria com tentações. O camponês aceitou e o pacto se cumpriu.

Um dia o camponês morreu. Como não tinha pecados, foi direto para o Céu, mas não foi aceito pois tinha feito um pacto com o Diabo. Sem alternativa, dirigiu-se ao Inferno onde foi, igualmente, rejeitado, pois, em vida, nunca tinha sido pecador.

Sem ter para onde ir, Jack foi condenado a andar na escuridão e a vagar eternamente pela região umbrálica (ô palavra!) entre os vivos, até o juízo final. Então, ele implorou a Satanás que acendesse brasas para iluminar seu caminho. O Diabo deu-lhe um pequeno pedaço de carvão incandescente. Para proteger a luz, Jack colocou o carvão dentro de um nabo escavado. Surgiu assim o “Jack o’Lantern” (Jack da Lanterna) como é conhecido até hoje.

Condenado a ser visível de 31 de Outubro para 1o. de Novembro, encontrou, como solução, disfarçar-se cobrindo a cabeça com um enorme nabo oco, no qual abriu uns olhos e uma boca. Dessa forma, os irlandeses comemoram a noite de “halloween” desde os tempos imemoriais.

Quando os irlandeses emigraram em massa para os Estado Unidos, levando consigo as suas tradições, depararam-se com a existência de coloridas abóboras que foram adaptadas à tradição, em substituição aos nabos.

Os norte americanos logo trataram de exportar esta festividade para a Europa, entrando pelo norte, especialmente Suécia, estando agora em moda por quase todo o continente. Business is Business! Americano não brinca em serviço!

Uma outra origem da “Noite das Bruxas” encontra-se no fato de, para os Celtas, o dia 31 de Outubro ser o dia fora do tempo, pois o calendário iniciava-se no dia 1o de Novembro e terminava no dia 30 de Outubro. Este dia então era considerado o dia em que o espaço entre os dois mundos deixava de existir e os mortos vinham nos visitar (manhê!).

A idéia de usar um nabo surgiu com os Celtas, povo que se espalhou pela Europa entre 2000 e 100 a.C. Um dos símbolos do seu folclore era um grande nabo com uma vela espetada. Quem já leu as historinhas do Asterix, o Gaulês, pôde dar uma pequena saboreada em certas coisas dos tempos dos Celtas. Os sacerdotes Druidas eram Celtas.

Agora, algo um pouco mais histórico e realístico.

No século V a.C., na Irlanda dos Celtas, ao anotecer de 31 de Outubro, celebrava-se uma festa para comemorar o final do verão no hemisfério Norte e o início de um novo ano. Dizia-se que, nesta noite, os feitiços e a magia eram mais fortes do que em qualquer outro dia. Aqui, a gente percebe isso pela quantidade de despachos de macumba que se vê em encruzilhadas e cemitérios. Saravá!

No ano de 52 a.C. com a conquista dos Celtas pelos Romanos (batalha de Alésia, Júlio César derrota Vercingetórix), parte desta festa e seus costumes passaram para Roma. Quando o Imperador Constantino, o Grande, tornou o Cristianismo a religião oficial do império, em 313 d.C., ocorreram conseqüências irreversíveis na cultura dos celtas romanizados. Mas os Celtas não podiam abandonar seus costumes de uma vez, então o cristianismo mudou seu nome de Festival de Samhain para All Hallow Eve, uma espécie de Véspera de Todos os Manrtires ou Santos e a razão original desta celebração se converteu na adoração cristã dos mártires, como S. Patrício da Irlanda, S. David de Gales e S. André da Escócia, que são os mais conhecidos. Até hoje, o dia 1o de Novembro é o Dia de Todos Os Santos.

As comunidades cristãs dos séculos IX e X começaram a pedir tortas e doces em troca de orações pelas almas e, mais tarde, mudaram suas vestes para fantasias. Os irlandeses americanos introduziram o uso da abóbora, que continua até nossos dias.

O Halloween começou a ser celebrado, de modo mais disseminado, em 1921. Neste ano, ocorreu o primeiro desfile de Halloween no estado de Minnesota, EUA, seguindo-se, logo, outros estados. Halloween tornou-se uma data muito importante em vários países do mundo.

Costumes da Noite das bruxas:

Pedir doces: No século IX, na Europa, iam de aldeia em aldeia pedindo tortas e doces.
Hoje, em alguns países, as crianças se vestem como fantasmas para visitar os vizinhos, sendo presenteados, por estes, com doces.

Uso de fantasias: Na Noite das Bruxas, costumam-se usar fantasias, desde a Europa medieval. Usavam máscaras, quando secas e outros desastres naturais os assolavam, para
afugentar os maus espíritos e bruxas.

Lanternas de Abóboras: Em 31 de Outubro, os Celtas deixavam velas acesas dentro de nabos ocos, que as protegiam do vento, na entrada de suas casas. As abóboras surgiram quando os Irlandeses que imigraram para a América depararam-se com as coloridas abóboras que nós conhecemos por “morangas” e adaptaram o costume, por não encontrarem os grandes nabos que havia na europa.

No Dia das Bruxas, vista uma fantasia e divirta-se! (E na Bunada?)

salvadorlaviano@walla.com

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JR
2/ago/2008 as 19:30

Legal. Não conhecia essa versão do nabo… Ou seja, o Jack foi fazer acordo com o Capeta e “levou um nabo”, na cabeça – seja dito. (Hehehe, será se esse comentário vai ser aprovado?)


 
Bárbara Ivo 3 Rios
4/ago/2008 as 13:45

Moro em um condomínio de apartamenos e há 2 anos preparo doces para receber a visita da criançada fantasiada.
É, sem dúvidas, uma forma de socialização. Muitas pessoas são vizinhas e mal se olham e nem se falam. Um “oi” ou um “bom dia” faz parte da edução, afinal dividimos o mesmo quintal!


 
Camilo
27/out/2008 as 9:56

Salvador, sempre trazendo conhecimentos. E a grandeza da diversidade permite a opção pela forma de comemoração: nabos, abóboras, ou doces. Abraços.


 
Ana Martins
31/out/2009 as 16:13

Bem curiosa a história. Gostei!
Abçs


 

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