Perturbação Sonora: O Desabafo.

Nos últimos meses, tenho pego carona com um amigo para vir trabalhar. Infelizmente, ele detonou o cd player do carro dele, e somos obrigados a ouvir a rádio.
Geralmente, deixamos nas notícias, para saber o que acontece no Brasil e no mundo, mas como só temos ouvido desgraças e malabarismos dos políticos em época pré-eleição, decidimos hoje deixar nas FMs da vida. Creio que foi a pior coisa que pudemos fazer. A cada estação que passava, pior ficava.
Não que eu tenha algo contra os músicos que estão nas rádios e suas composições (ou interpretações em alguns casos), longe disso. Tenho contra a massificação e “bobalização”das músicas e seus estilos.
As boazudas do R&B americano têm espaço privilegiado nas rádios, já que as novelas globais carregam as músicas de todas elas para a massa, que delira ao ouví-las.
Bandas de Pop e Rock de verdade (e de qualidade) estão assustadas com o cenário da música atual e não aparecem há tempos nas rádios, e quando aparecem, são arrastados pelas duplas de “Sertanejo Universitário” (que são todas idênticas, um magrinho que canta e um outro de chapéu de cowboy), e outros conjuntos que vieram com a moda.
Bandas nacionais soam como as gringas, parecem bandas gringas, se vestem como bandas gringas, têm cabelos alisados de bandas gringas. É incrível ver a semelhança das bandas brasileiras que estouraram com as hypes americanas. Enquanto isso, vemos também bandas independentes se assemelharem aos novos queridinhos da malhação. Algo que não é nem um pouco bom. Cadê a autenticidade? Melhor: cadê a sinceridade?
Não existe nada sincero. É só adquirir o kit do rockstar moderninho: Letras “clichê”, refrões pegajosos, chapinha no cabelo, a calça apertadinha e nem um pouco de dignidade ou vergonha na cara.
Como diria o Pasquale “na vida nada se cria, tudo se copia”.
Não estou dizendo que não existe o talento. Só estou dizendo que se existe, é mal utilizado. Não importa se não gosta do que você toca. O que importa é estar bonitinho e em voga. Afinal, pagando bem, que mal tem?
É isso, vamos perturbar.
Adriano Rodrigues é guitarrista do Evora.
Faz muito tempo que não posto nesse estimado blog. As minhas atividades como marketeiro estão pesadas, assim como minha atividades como músico.
Prometo postar com mais frequência. Ou não. Rs.





















Exatamente, o que ganha dinheiro hoje é isso mesmo, as tais ‘modinhas’, odeio as rádios de hoje.
Desabafo oportuno.
Já faz algum tempo em que a maioria das rádios brasileiras virou reduto para políticos, pastores evangélicos e para música de péssima qualidade, fabricada e viciada por uma mídia voltada à mediocridade em troca do lucro fácil. Mas o mundo é assim mesmo, feito de coisas boas para uns e ruins para outros. Resta-nos o poder de escolha que, neste caso, apesar da escassez, ainda existe. É só pesquisar com calma e bastante paciência.
Olá!
Aderir a moda pra se lucrar.Ai..ai..que saudades da “Era do rádio”!
Abs!
Carol Sakurá
Ninguém quer arriscar algo novo, criar um estilo. É mais fácil e conveniente pegar uma receita já pronta e trabalhar em cima dela. Muitos até tem talento musical, tem boas vozes e sabem tocar, mas é por medo que algumas bandas não inovam. Na maioria das vezes é por falta de criatividade mesmo.
P.S.: esses dias achei uma bandinha nova de uma música só que roubou praticamente tudo da saga Crepúsculo. Dizem que lançaram um estilo, chama-se Dark Pop. Depois da uma olhada lá no último post do meu blog.
Concordo, exceto quando você diz: “Tenho contra a massificação e “bobalização”das músicas e seus estilos.”
Não acho que o problema esteja na “massificação” da música. Afinal Música Popular Brasileira DEVE ser feita para população, já sendo redundante, deve ser massificada. Deixemos a exclusividade para o erudito.
Creio que o problema está nessa ridícula indústria não só musical, cultural mesmo, que ajuda a mídia a alienar essas cabecinhas não-pensantes. Tudo virou descartável. A rima, a melodia, o ritmo, o povo. Uma música deve “fazer a cabeça da galera” até certo tempo. Quando cai na rotina, tira do ar. Recicla a mesma “canção”. O lucro se repete. E como alguém já disse uma vez: “o povo tem memória curta!”
Infelizmente, ganha dinheiro quem se rende a esse capitalismo selvagem. A maioria dos tais “músicos” nem se dão conta de estarem sendo marionetes nas mãos dos empresários. E “já não se fazem mais músicos como antigamente”.
ps.: e os que ainda existem, perpetuam a espécie …
Meus queridos!
Primeiramente, valeu por terem acessado nosso blog e lido esse texto! Agradeço por todos os comentários e por exporem seus pensamentos nesse post.
Gostaria de deixar claro que trata-se de um desabafo mesmo. Eu, como músico, me sinto desanimado com o rumo que a música brasileira está tomando.
Concordo com a Danielle que a música tem sim que ser massificada, porém música BOA deve ser massificada. Não a bobalização.
Abraço a todos e aguardem novos posts musicais.
Adriano Rodrigues
Concordo com você. Música BOA. Como eu havia dito, o problema está na “descartez”.
=D
Faço das palavras de Daniele as minhas, existe muita coisa boa na música brasileira atual e muito lixo também, cabe as pessoas saber diferenciá-las. E o lixo está presente em todos os generos musicais, não está apenas no sertanejo, ou no pagode, ou no funk…Enfim, há vida inteligente no rádio, é só sintonizar na frequencia certa, aqui mesmo em salvador tem umas três muito boas. Muito bom o post, ele rende discussões interessantes.
Ps: cheguei ao seu blog através do Mulherices. E gostei! Parabéns!
http://www.todososouvidos.blogspot.com