Outras tardes de domingo

Autor(a): Hilton Barroso | Data: out 18, 2009 | Categoria(s): Cotidianas | 126 views |

futebolEm tempos não muito distantes, lembro as tardes de domingo, grandes jogos de futebol, clássicos entre dois grandes rivais, casas cheias, términos dos espetáculos. Neles, vejo rampas divididas entre ganhadores e perdedores, uns tristes, cabisbaixos, descontentes; outros felizes, sorridentes, retumbantes. Porém, a intensidade da alegria não era mais nem menos pela vitória ou derrota, mas pela própria circunstância do futebol e das tardes de domingo. O objetivo era o prazer. Prazer de assistir a um espetáculo, como um cinema, um teatro, um show empolgante. Prazer de sair com os amigos, com o filho vestido a caráter, do cachorro quente dos intervalos. Prazer de uma cervejinha antes e outra depois, acompanhadas de bolinhos de bacalhau, mesmo na condição de vencido. Prazer de discutir jogadas e os gols durante dias. Prazer de gozar o outro e de brincar ao ser gozado. Prazer da emoção e da distração.

As tardes de domingo eram aguardadas ansiosamente por aqueles que realmente gostavam de futebol. Brigas! Claro, uma ali, outra aqui. Nada perturbador – logo apartadas pelos próprios colegas. Bombas! Só morteiros, jogados para o céu onde, livremente, explodiam no ar, tornando ainda mais brilhante as tardes de domingo.

Nos tempos atuais, servem as tardes de domingo aos marginais, aos leões de arena e aos gladiadores inconscientes. Não há mais adversários, e sim inimigos. Não há mais torcedores, e sim soldados armados em trincheiras de cimento. Não há mais bandeiras tremulando nem o coro afinado das arquibancadas, e sim gritos de guerra. Se ainda há um drible desconcertante, rara beleza vista nos campos hoje em dia, o inimigo ataca feito um animal raivoso, enfurecido, como se a essência e a síntese do jogo praticado fosse agora proibida. Se, por outro lado, os poucos sobreviventes de talento caem como uma presa distraída, ferida pelas patas dos incompetentes, o inimigo aclama e pede morte sem indulgência.

Estas tardes de domingos são outras. Não pela passagem simples do tempo ou pela inevitável “evolução” abstrata e misteriosa da natureza e dos seres, mas pela facilidade com que o mundo de hoje aceita a imbecilidade coletiva e a bestificação social dos homens.

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Paulo Américo
19/out/2009 as 6:35

É difícil conseguir torcer nas tardes de domingo pelo seu time de coração, pensa-se duas vezes antes de sair na rua com a camisa do seu time por causa de alguns irracionais.
Gostei da análise que fala dos jogadores dentro dos campos, há muito tempo que o futebol está desse jeito, driblar agora é proibido, quem dribla corre o risco de se machucar feio.
Eu acho que isso acontece porque rola muito dinheiro entre os times e jogadores, salários enormes,o que fazem do futebol de hoje não um simples jogo, e sim um campo de batalha.


 

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