Outras tardes de domingo
Em tempos não muito distantes, lembro as tardes de domingo, grandes jogos de futebol, clássicos entre dois grandes rivais, casas cheias, términos dos espetáculos. Neles, vejo rampas divididas entre ganhadores e perdedores, uns tristes, cabisbaixos, descontentes; outros felizes, sorridentes, retumbantes. Porém, a intensidade da alegria não era mais nem menos pela vitória ou derrota, mas pela própria circunstância do futebol e das tardes de domingo. O objetivo era o prazer. Prazer de assistir a um espetáculo, como um cinema, um teatro, um show empolgante. Prazer de sair com os amigos, com o filho vestido a caráter, do cachorro quente dos intervalos. Prazer de uma cervejinha antes e outra depois, acompanhadas de bolinhos de bacalhau, mesmo na condição de vencido. Prazer de discutir jogadas e os gols durante dias. Prazer de gozar o outro e de brincar ao ser gozado. Prazer da emoção e da distração.
As tardes de domingo eram aguardadas ansiosamente por aqueles que realmente gostavam de futebol. Brigas! Claro, uma ali, outra aqui. Nada perturbador – logo apartadas pelos próprios colegas. Bombas! Só morteiros, jogados para o céu onde, livremente, explodiam no ar, tornando ainda mais brilhante as tardes de domingo.
Nos tempos atuais, servem as tardes de domingo aos marginais, aos leões de arena e aos gladiadores inconscientes. Não há mais adversários, e sim inimigos. Não há mais torcedores, e sim soldados armados em trincheiras de cimento. Não há mais bandeiras tremulando nem o coro afinado das arquibancadas, e sim gritos de guerra. Se ainda há um drible desconcertante, rara beleza vista nos campos hoje em dia, o inimigo ataca feito um animal raivoso, enfurecido, como se a essência e a síntese do jogo praticado fosse agora proibida. Se, por outro lado, os poucos sobreviventes de talento caem como uma presa distraída, ferida pelas patas dos incompetentes, o inimigo aclama e pede morte sem indulgência.
Estas tardes de domingos são outras. Não pela passagem simples do tempo ou pela inevitável “evolução” abstrata e misteriosa da natureza e dos seres, mas pela facilidade com que o mundo de hoje aceita a imbecilidade coletiva e a bestificação social dos homens.





















É difícil conseguir torcer nas tardes de domingo pelo seu time de coração, pensa-se duas vezes antes de sair na rua com a camisa do seu time por causa de alguns irracionais.
Gostei da análise que fala dos jogadores dentro dos campos, há muito tempo que o futebol está desse jeito, driblar agora é proibido, quem dribla corre o risco de se machucar feio.
Eu acho que isso acontece porque rola muito dinheiro entre os times e jogadores, salários enormes,o que fazem do futebol de hoje não um simples jogo, e sim um campo de batalha.