O saber da (dá) liberdade

Autor(a): Priscila Manni | Data: ago 3, 2008 | Categoria(s): Cotidianas | 2.284 views |

Quando a gente tem 12, 13 anos, a gente acha que liberdade é poder beijar o menino que a gente gosta. Com 15, 16 pensamos que podemos tudo, ou, quase tudo… beber, fumar, viajar sem os pais. Acreditamos que isso é ser livre. Mais tarde, o maior símbolo da tão sonhada liberdade é poder dirigir e ir sozinho a qualquer lugar.
Depois do primeiro beijo, da primeira bebida, do primeiro cigarro, da primeira viagem sozinhos e da primeira vez que a direção está em nossas mãos, a busca pela liberdade fica cada vez mais complexa. Passamos a nos questionar: se já passei por tudo isso e ainda não me sinto livre, o que é a liberdade?
Ser livre é escolher a faculdade que a gente quer? Ser livre é trabalhar com o que a gente gosta? Ser livre é namorar quem a gente escolhe? Ou é não namorar ninguém?
O que é ser livre?
Na verdade, se a liberdade sempre tiver que ter um fato específico para ser alcançada, a busca não fará sentido, porque nunca vai terminar.
As pessoas encontram várias formas de procurar a real essência desse sentimento.
Na minha opinião, o que todos procuram na vida não é o amor. Porque o amor vem naturalmente, o amor existe ou não existe, dá certo ou não dá. As grande lutas da humanidade não foram pelo amor, mas pela liberdade. Até a mais batida lenda de amor foi uma luta pela liberdade… Romeu e Julieta, condenados a ficarem presos às escolhas de seus pais.
O nosso sentido de ser livre tem que dar certo, não há outra escolha. A liberdade existe e nós a desejamos fortemente, só não sabemos, muitas vezes, como alcançá-la.
Eu, por exemplo, viajei para 6 países sozinha em busca da liberdade. Achei que a encontraria no dia-a-dia dos americanos, no frio dos londrinos, no calor dos italianos, na amizade dos espanhóis, no charme dos franceses e na frieza dos alemães. Depois achei que ser livre era morar sozinha e não entrar em nenhum relacionamento duradouro. Hoje tenho descoberto o real sentido da liberdade.
Ser livre é bancar uma máxima assustadora: TUDO PODE MUDAR. E aceitar isso.
A verdadeira liberdade é saber manter aquilo que você é independentemente dos lugares que você frequenta, do trabalho que você faz, da pessoa que está ao seu lado, da sua cidade, do seu carro… perceba: tudo pode mudar.
Você pode escolher e desistir, pode ser amado ou odiado, pode ir pra frente ou virar as costas. A liberdade não é fazer essas coisas literalmente mas saber que você pode fazer. Saber que você pode mudar. A simples sensação de saber é o que, muitas vezes, lhe dará asas.

primanni@hotmail.com

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