O estranho Sr. Deville – Capítulo 3

Autor(a): Salvador Laviano | Data: nov 20, 2009 | Categoria(s): O Estranho Sr. Deville | 122 views |

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[Leia o início desse conto]

CAPÍTULO III

“Calma, vou explicar tudo. Como dizia Glinda, a boa bruxinha do norte, do Mágico de Oz, é sempre bom começar do começo.”

Então, Lúcifer começou sua explicação.

“Em primeiro lugar, preciso provar quem eu sou.”

Estalou os dedos e um baralho surgiu na mesinha, à sua frente. Fez um movimento em forma de leque, com a mão, e o baralho abriu-se em leque, também. Fiquei surpreso e disse:

“Ei, belo truque! Assim ainda não tinha visto”

“Escolha uma carta” – disse ele.

“O quê?”

“Brincadeirinha.” – fechou a mão  no ar e o baralho sumiu.

“Gostei! E a sua outra mão nem está sobre a mesa! Como você fez?”

“Esqueça” – disse ele. “É simples, mas demora muito para explicar. Você já leu ‘O Paraíso Perdido’, do poeta inglês John Milton? – e um exemplar do livro caiu do nada, em suas mãos. Como eu já estivesse gostando da brincadeira, abri os braços, fiz um rodopio, estalei os dedos, exclamei ‘Opa’, como fazem os gregos e disse:

“Agora a coisa está ficando boa!”

“Por favor, leve mais a sério a nossa conversa” – disse Lúcifer, meio impaciente.

“Desculpe, mas estes seus truques estão me animando. Esse do livro foi excelente!. Respondendo à sua pergunta, sim, já li Milton, por quê?”

“Segundo ele, eu disse uma frase quando Deus, supostamente, me expulsou do Paraíso. Lembra-se dela?”

“Claro, ‘é melhor reinar no Inferno do que servir no Paraíso’, certo?”

“Exatamente.” – Fez um movimento com a mão o livro abriu-se sozinho e as páginas começaram a ser folheadas por si mesmas, até pararem num certo ponto. Virou a  mão e o livro virou cento e oitenta graus. Mostrou a palma da mão aberta para mim e o livro ficou suspenso no ar para que eu pudesse ler o trecho mencionado. Estalou os dedos e o livro desapareceu. Aquilo já deixava de ser um simples truque. Comecei a achar que Lúcifer não era tão maluco assim.

Baixando o olhar para a mesa e sacudindo a cabeça de forma negativa, exclamou:

“É uma pena que um poema tão belo esteja tão equivocado a meu respeito. Mas, o que se há de fazer, era a visão que ele tinha de mim e que a Igreja fazia questão de espalhar” – levantou–se da cadeira, colocou as mãos para trás e começou a andar de um lado para outro, olhando ora para o chão, ora para o teto, enquanto falava.

“Nós, anjos, usamos uma escala de tempo diferente da sua. Medimos o tempo não em anos, mas em evos. Um evo vale aproximadamente duzentos e cinquenta milhões de anos, o que é mais ou menos o tempo que o seu Sol leva para dar uma volta ao redor do centro da galáxia. Só como ilustração, quatro evos formam um éon ou eão. Este universo tem a idade de treze eões e alguns evos, segundo os dados mais recentes de seus próprios cientistas.

Quando fui criado, juntamente com todo o conjunto da criação, eu não era Lúcifer. Espalharam a idéia de que anjos são seres especiais já criados com todos os seus atributos. Quisera eu que assim fosse. Levei alguns evos para atingir o nível em que me encontro agora. O que Milton, a Igreja e todo mundo conta é que eu quis ser como Deus e que, por isso, fui expulso do Paraíso. Mas não foi assim.”

“Ah não? É o que se ouve por aí!” – interrompi, com um certo ar de chacota.

“É, não foi assim, mesmo!”.

“Então, pode começar  a explicar. Sou todo ouvidos”.

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Camilo
21/nov/2009 as 9:09

Vou sentar .. acho que a explicação vai ser um pouco longa. Alguns evos …. (hehe)
Abraços,
Camilo


 
Salvador Laviano
21/nov/2009 as 11:17

Fique contente por não ser eões! He He!


 
Danielle
18/dez/2009 as 1:33

Também vou sentar …


 

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