IRÃ
AO PAINEL DO LEITOR – FOLHA DE SÃO PAULO
As pessoas deveriam conhecer melhor a nação iraniana. Trata-se de um País islâmico dos mais liberais e mais organizados. Sua estrutura educacional é modelo até para nações democráticas, tendo como fundo o ensino obrigatório para todas as crianças e mais de cem instituições de ensino superior. Sua taxa de alfabetização é de 81,3% da população com mais de quinze anos. Nas artes, tem valor a poesia e o cinema, sendo este prestigiado em festivais como Cannes, Veneza e Berlim. Nos esportes, tem havido uma valorização contínua desde a década de 90, inclusive com a abertura para participação das mulheres. O País mantém relações comerciais diretas com vários outros países, entre eles a Alemanha, a Itália, o Japão, a áfrica do Sul e a China. Apesar de uma população dividida em vários grupos étnicos, convivem em perfeita harmonia (não se tem notícias de ações de sectarismo ou discriminação). Sua economia é baseada na indústria têxtil e petroquímica, sendo um dos maiores produtores mundial de petróleo. Sua política é liderada por um Guia Supremo com mandato vitalício e o seu Conselho dos Guardiães com 12 membros; um poder executivo liderado por um presidente eleito por sufrágio universal para mandato de 4 anos, um Conselho de Ministros nomeados pelo presidente e o poder legislativo, exercido por um parlamento unicameral, com 290 membros eleitos também por sufrágio popular. E, por último, ao contrário do que muitos imaginam, o Irã reconhece três minorias religiosas: Zoroastrista, Judeus e Cristãos.
Portanto, tentar comparar o Irã com países ditatoriais, onde não há direitos humanos e nenhuma liberdade de expressão, é no mínimo ingenuidade. Claro! Presidentes que falam bobagens existem em todos os cantos do planeta. É só rever os anos Bush. O que vale aqui é o povo e a nação que estamos recebendo em nosso País. Quanto a questão nuclear, para o Irã, tornou-se uma questão de sobrevivência, pois lá não há condições para hidrelétricas e outros meios de geração de energia se não a nuclear. Na verdade, esta é uma saída não só para países daquela região, mas, futuramente, para o mundo. Se vão produzir a “bomba”, aí é outra história.




















