De onde veio aquela expressão?
O nosso idioma está cheio de expressões idiomáticas, que expressam verdades de sabedoria popular ou indicam situações comuns, com bastante humor e muitas vezes, com precisão certeira. A gente até fica pensando: “o cara que inventou isso era muito observador”.
Mas qual será a origem delas. Algumas são tão descabidas que nos deixam extremamente curiosos. É o caso de “cuspido e escarrado”, usada para indicar que o filho é a cara exata do pai. Mas de onde veio isso? Como alguém pode ser cuspido e escarrado e ser semelhante a alguém? Que nojo! Coisa mais abstrusa!
Pensando nisso, saí procurando e achei coisas interessantes. Vou tentar dar uma idéia da origem de algumas expressões.
Forró
Quando os americanos estabeleceram sua base avançada em Natal, RN, nem sempre tudo era trabalho. De vez em quando havia umas festas. Algumas delas eram fechadas, só para os oficiais da base, esposas e parentes. Outras eram abertas, eram pra todo mundo, eram for all. Como o pessoal da terrinha não falava inglês muito bem, tentaram reproduzir o som que ouviram da melhor forma possível. Então for all virou forró.
Cuspido e escarrado
Da mesma forma que no caso anterior, aqui houve um pequeno problema de interpretação de som. A expressão original é “esculpido em Carrara”. O mármore de Carrara, região da Toscana, Itália, é conhecido desde a Roma antiga. O Panteão foi erigido com este mármore. Foi usado pelos mais conceituados escultores da Europa, na época de Leonardo da Vinci, Michelângelo, Benevenutto Celini etc. A estátua de Davi, de Michelângelo foi esculpida em Carrara. Precisa explicar mais?
Ripa na chulipa.
Algumas das primeira estradas de ferro do Brasil, foram instaladas por companhias estrangeiras, como a Recife and São Francisco Railway Company, em 1858, a Bahia and São Francisco Railway Company, em 1860, e a São Paulo Railway Company Limited, em 1867, a famosa Santos/Jundiaí. Todos sabemos que aquelas madeiras transversais que unem os trilhos dos trens chamam-se “dormentes” ou, em inglês, sleepers. Para cortar as madeiras e acertá-las na via férrea, é preciso “serrar os dormentes” ou, em inglês, rip the sleepers. Sem comentários.
Sem eira nem beira
No Brasil colonial, o status sócio-econômico de uma pessoa podia ser avaliado pela beirada do telhado de sua casa e pela área que ela ocupava, com páteos e quintais espaçosos. Quem tivesse beira, aquela projeção do telhado sobre a frente da casa, tinha grana. Se a casa tivesse eira (do Latim area), aí é que tinha muita grana. Quem não tinha eira nem beira, tava na pior.
Ficar a ver navios
Essa expressão faz lembrar as pessoas que ficaram tristonhas, à beira do cais na Cidade do Porto, esperando, em vão, pelo regresso de seu tão querido rei Dom Sebastião. Como ele havia morrido, elas apenas viam os navios chegarem e nada do rei.
Pensar na morte da bezerra
Absalão, filho do rei Davi, estava sem bezerros e tinha de fazer uma oferenda a Deus. Assim, sacrificou uma bezerra, da qual seu filho menor gostava muito. Este ficou o resto da vida sentado ao lado do altar, pensando na morte da bezerra (que saco!).
João-sem-braço
Portugal teve de travar diversas guerras para manter seu território. Por isso, havia muitos homens portadores de deficiências físicas, que não tinham outra saída a não ser viver de esmolas. Pensando em ganhar um dinheirinho mole, uns pilantras vestiam uma capa e fingiam não ter um e, às vezes, os dois braços, tentando faturar um troco. Eram os Joões-sem-braço.
Deixar as barbas de molho
Há um ditado espanhol que diz: “quando vires as barbas de teu vizinho pegarem fogo, coloca as tuas de molho”, querendo dizer para prestar atenção ao que ocorre com outrem e tomar como experiência para si.
Tirar água do joelho
Quem vê um homem urinando, de pé e de lado, a uma certa distância, tem a impressão que o jato está saindo do joelho.
Mão na roda
Quando uma carroça ou um carro de bois atolam, o matuto sabe que, para desatolar a coisa, é necessário ajudar a empurrar as rodas com as mãos. Qualquer mão a mais, na roda, nesse momento, é de grande ajuda.
Foi bom pra você? Vou ver se acho mais e depois eu conto.




















