Anões e Reeleições
Comentário sobre texto do Marcelo Tás, Porque não sou petista:
Conheço o Marcelo tás e sei da sua competência como profissional de televisão. No entanto, não posso deixar de criticar este breve desabafo intempestivo.
Arrogantes são quase todos aqueles que um dia se vêm no poder. E, pior ainda, aqueles que se vêem pela primeira vez. Até esse famigerado dia, o PT era considerado um partido diferente e até do bem. Do bem significa dizer que, na grande maioria de seus filiados, haviam realmente pessoas querendo consertar as coisas, criar uma nova perspectiva de Brasil, até então emergindo da ditadura, mesmo ainda com sintomas de forte gripe. Dos muitos casos de corrupção, poucos assistidos, não havia só um em nome do Partido dos Trabalhadores. Isto era a prova da política honesta e a esperança no fim da politicagem, da erradicação do mal impregnado, do vício da malandragem como meio de sobrevivência. Eis que surge o poder e, no seu bojo, o “Mensalão” e outras geringonças mais. Olhos arregalados – “Chegou a nossa vez!”, Bradavam os mal-petistas deslumbrados e inveterados.
Já tivéramos outros “Mensalões”: dos anões e da reeleição, sem contar com as inúmeras benesses em tempos de orçamento . Quem não se lembra? Faz parte dessa incompreensível Democracia de jericos.
Mas, e agora? Será que a coisa vai? Que a coisa anda? É o PT quem está no ar! Mandando e desmandando! Agora eu quero ver se não mais se prende banqueiros e empreiteiros desonestos! Se o povo finalmente terá voz! Se os miseráveis comerão enfim! Se os que têm tudo pagarão um pouco pelos que nada têm! Se o trabalho singelo terá o seu lugar, a dignidade, a vivência…
Oito anos, praticamente, se passaram. E estamos longe desse sonho. Não por causa do PT. Não culpemos somente o PT, ele ainda é apenas uma transição, uma boa transição, acreditem nisso. Até ontem os culpados eram os portugueses, e estes, coitados, já nem conhecem mais a história. Temos que reaprender, caminhar, quem sabe do cinco, Já é grande coisa.
Em outras observações disse que o problema do Brasil não é propriamente os seus políticos, mas as suas instituições. Estas sim, estão infectadas pelos mal-costumes, pelos bandidos de carteirinha, pela filosofia invertida ou controvertida entre o que é o bem e o que é o mal. Muita gente acha que nada é imoral, ou que tudo é explicável dentro de suas convicções do que é normal e correto. Dois personagens retratam bem essa questão: Odorico Paraguaçu e Paulo Maluf. Tudo bem que hajam insanos nesse contexto, porém, as instituições deveriam solucionar essas questões, assim como o manicômio soluciona os que não se enquadram na sociedade por distúrbios psíquicos. A diferença é de poder e não de mérito.
Trabalho. Concordo plenamente com o uso distorcido da palavra. Porém, cai o articulista (se posso chamá-lo assim) na mesma armadilha de forma arreganhada e equivocada. A questão é: quem é trabalhador? Que eu saiba, o dono de um restaurante famoso, o presidente de um banco estrangeiro, um torneiro mecânico, um lixeiro ou um presidente de partido político trabalham, ou seja, todo aquele que exercita o corpo ou o intelecto para conseguir alguma coisa , é um trabalhador. A diferença é a remuneração, e só. Dizer que um partido está voltado para o trabalhador, logicamente atinge as pessoas com esse desprendimento. Que eu saiba, somente aqueles que vivem de herança, sustentação familiar, aposentadoria, pé de meia ou ganho na mega sena não se enquadram nesta classe. Quanto ao viés, torna-se pura propaganda ou, por questões objetivas do jogo político, ênfase nos “descamisados”, que são a maioria. Por favor, não me venham mais com essa ladainha que o Lula não trabalhava. Se não, quero ver vocês e o Marcelo Tás dando a cara pra bater todos os dias em comícios, reuniões e tomando decisões nos destinos de um partido de milhares de cabeças de pensamentos heterogêneos. Sejamos claros, honestos e imparciais, ou caminharemos pelos rumos da ignorância de cabresto.
Quanto à analogia homossexual, creio que o articulista desconhece o contraditório. Eu mesmo já fui execrado, por mais de cem e-mail em um só dia, ao escrever algo contra o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). E digo mais, seremos alvo de ameaças se escrevermos algo contra Paulo Maluf, Edir Macedo ou qualquer outro ser em evidência, não tenham dúvidas. Há fanáticos para tudo nesse mundo de Deus deles.
Entre outros dizeres do manuscrito, não quero contraditar, pois não merecem nenhuma consideração. São desabafos de quem, por algum trauma espontâneo cegou, desafinou e não mais usou a razão. Razão esta que a própria razão desconhece, se não pelo ódio e a castração do pensamento lógico e persuasivo. Ainda bem que ficaram somente em soltas palavras quase irreconhecíveis, quase indecifráveis para quem os lê conscientemente.
Hilton Ellery Girão Barroso




















