A úlltima que é sempre a primeira
Resolvi escrever por 2 razões. Uma: acabo de assistir a um filme que me inspirou. E duas: Meu tio, Pasquale Laviano Filho, administrador deste blog me disse hoje que eu ia virar famosa e esqueceria do Blog desconhecido dele. Precisava fazer algo a respeito…
De uma certa maneira, as duas histórias se conectam. Você deve estar se perguntando “como assim?” Se tiver paciência, vou explicar.
Eu acabo de voltar da Itália. A Itália é minha segunda casa. É onde meus avós nasceram e onde minha mãe morou por muitos anos. Minhas três tias também nasceram lá, menos minha mãe. Entre idas e vindas, meu avô (na foto) teve seis filhos. As quatro “italianas” e os dois brasileiros. Meu tio é um deles.
O filme que acabo de assistir “Tinha que ser você”, é um despretensioso romance. Um romance entre duas pessoas já bem mais velhas. Ele é um homem solitário, que teve uma filha só, se separou e foi pouco presente e ela é uma mulher, também solitária, que fez um aborto quando jovem e tem problemas de relacionamento. Pois os dois se encontram com um molho de “esta é a última chance de ser feliz”. E, diga-se de passagem, a melhor delas.
Eu só conheci os meus dois tios, suas mulheres e filhos, há uns quatro, cinco anos. Eu sabia muito pouco deles. Sabia que meu avô tinha conhecido uma brasileira, quando minha avó estava na Itália, mas eu não conheci meu avô, quer dizer, eu tinha apenas um ano quando ele morreu e, para falar a verdade, eu vivo com as histórias que me contam dele. Dele, na realidade, eu pouco sei, quase nada.
Mas desse mínimo conhecimento eu sei que ele teve várias “últimas chances”. Ele foi um homem que viveu, que não teve medo de arriscar. Ele aproveitou as melhores chances da vida. Ele podia ou não ter casado com a menina de 14, 15 anos que ainda pulava amarelinha, ele podia ou não ter pegado aquele navio, ele podia ou não ter se apaixonado pelo Brasil, ele podia ou não ter sido um ótimo pai para a minha mãe e as minhas tias, ele podia ou não ter se apaixonado por uma brasileira, ele podia ou não ter tido dois filhos e ter amado e cuidado deles, mesmo estando longe, muitas vezes, ele podia ou não ter reunido a família toda em São Paulo, ele podia ou não ter deixado um amor pela Itália que passa de geração em geração.
O que estou tentando dizer é que será que um dia ele imaginou que as “últimas chances” dele lhe dariam uma neta da filha do primeiro casamento, que escreve no blog do filho dele, do segundo casamento? Ele poderia imaginar esse reencontro? Esse amor que une uma família que teve o mínimo de contato? Se ele imaginasse, ele teria medo de pegar as últimas chances? Eu tenho certeza que não.
Tem gente que demora uma vida inteira para enxergar a última chance. Eu digo “enxergar” porque as chances estão sempre ao nosso redor, tudo que precisamos fazer é estar presentes, abertos, atentos. O meu avô não. Ele não esperou a vida inteira para se apaixonar (quantas vezes fosse preciso) ou para ser um bom pai. Ele não esperou a vida inteira para arriscar, mudar de casa, mudar de país. Digam o que quiserem, porque eu não conheço mesmo o meu avô a fundo, eu tenho essa idéia idealizada do homem forte, corajoso e vivo que ele era e eu amo essa minha idéia. Talvez, lá no fundo, seja ela que me faça pular, não ter medo, arriscar e estar atenta para o hoje, para o momento, para as milhares de “últimas chances” que nos rodeiam. É pegar ou largar.
Priscila Manni é jornalista. |





















Só mesmo uma pessoa como seu nono poderia conseguir fazer tudo que fez gerando a sensação de sempre estar presente em todos os momentos para todos, sem exceção.
Por falar em “últimas chances” ai vai um pensamento cujo autor desconheço:
“Hoje: espaço de tempo que abraça o dia e a noite pelo qual só você é responsável. 24 horas de vida passando… Hoje é tudo o que você tem, a sua única realidade.
Tudo o mais é amanhã. Amanhã será um novo HOJE!”
BJS,
Manni