A malha fina nos pegou
Finalmente, o inimigo público No. 2 (adivinhem quem é o inimigo público No. 1?) nos pegou. Agora não vai ter choro nem vela. Estamos, todos, lascados.
Já está em funcionamento, no quinto subsolo do Banco Central, um supercomputador especialmente programado para xeretar todas as contas bancárias de todas as instituições financeiras do país. Está sendo conhecido pela alcunha de HAL, em homenagem ao computador fdp que resolve dar uma de gostoso, no filmaço “2001, Uma Odisséia no Espaço”, dirigido por Stanley Kubrick e com roteiro de Arthur Clark, marco da ficção científica no cinema e na literatura. Na verdade, seu nome verdadeiro é CCS (Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional). Se você tinha alguma dúvida que um dia o Grande Irmão, do romance de ficção social “1984”, de George Orwell, pudesse vir a ter uma pálida existência, mesmo com uma mera semelhança só de longe, então, como diria o bionicão Capitão Nascimento, você perdeu.
Este monstrengo tem, em seu arquivo, cerca de 150 milhões de pastas, uma para cada correntista do país, interrelacionando CPFs/CNPJs aos nomes dos titulares das contas e seus eventuais procuradores. Toda conta que for aberta, movimentada, fechada ou abandonada estará lá. Foram R$ 20 milhões gastos com o projeto e só há dois sistemas parecidos: na Alemanha e na França.
Mesmo estando no primeiro mundo, ambos são inferiores ao nosso. No da Alemamha, por exemplo, o lapso entre a abertura de uma conta, em um banco, e o seu registro no Big Brother é de dois meses. No nosso, é de dois dias.
Embora pareça um problema para o correntista, ele traz alguns benefícios. Por exemplo: quando a Justiça solicitava a quebra de sigilo bancário de algum pilantra, o Banco Central era obrigado a enviar um ofício a 182 instituições bancárias. Eram, em média, três mil pedidos diários, totalizando 546 mil pedidos. Agora, com um simples acesso em um terminal, Polícia Federal, Ministério Público ou qualquer juiz tem acesso a todas as contas que um cidadão tem no pais. Assim, fraudes, caixa dois e lavagem de dinheiro estarão “na mira do tira”.
Será que isso compensa qualquer transtorno para o correntista pacato e comum? Porque, como sempre, quando os maus elementos entram em ação, quam entra bem, na retaliação, é o cidadão.
Uma geringonça dessas só vai ter alguma serventia para o pobre trabalhador no dia em que for possível pagar um boleto atrasado em qualquer agência de qualquer banco, e não apenas “na agência depositária” ou “após o vencimento, só no banco tal”. Pra quê um código de barras daquele tamanho, tão cheio de números, se a gente tem de ir ao balcão ou ao caixa para pagar com multa e juros, ao invés de conseguir pagar no caixa automático? É um absurdo desmedido os bancos cobrarem taxas e mais taxas, pra você deixar o SEU dinheiro com eles, ainda obrigarem você a fazer um serviço que é deles, já que você paga por isso, e nem conseguir pagar uma continha vencida na lotérica. É o fim da picada.
Outra coisa é não ter um serviço para pagamento de contas 24h. Tem farmácia, restaurante, lanchonete, supermercado, posto de gasolina, hospital, médico, dentista, padre,
massagista, tudo 24h, por quê não tem agência? Medo de ladrão? Desculpa de muleta é aleijado. Lembra do banco no CEAGESP? Já fui tirar talão e pagar conta meia-noite. Velhos tempos. Agora, ficou tudo moderno e você tá frito.
Com uma tecnologia dessas você acha que não é possível? Na verdade, isso já é possível faz tempo. As instituições é que não têm vontade política para tanto. É interessante ver que, com tanto avanço, salvo algumas exceções, as coisas estão piores do que quando tudo era feito na mão. Novamente, volto a afirmar: o problema da tecnologia é o homem.
E aí, meu, cadê o seu processo de recuperação manual? Não tem? Ah, sei, é melhor deixar o usuário perdendo tempo e dinheiro, enquanto a luz não volta, certo? O seu já tá garantido, mesmo. Mas o Big Brother vai ficar no seu cangote, queira você ou não, goste ou não, mereça ou não. Tá “difícilis” na terra brasilis.
salvadorlaviano@walla.com





















Meu caro,o que você diria de servidores serem “obrigados” a tirarem emprestimos em seu nome por causa do governo?E na mudança de banco ter que enfrentar uma fila de uns 15 quilometros para abrir sua conta, no banco que era seu, mas por conta da mudança de governo vvc precisou trocar. E agora retrocar? Confuso né?! “Tá “difícilis” na terra brasilis.”
Ah, mas não esqueça da tecnologia de pagar tudo em casa, via internet, maior comodidade do mundo. Mas não esqueça de guardar a porcentagem dos hackres =D